A relação entre as populações tradicionais e as Unidades de conservação.
Existem atualmente, entre os ambientalistas, diversas
discussões e opiniões divergentes no que se trata das relações entre as
populações tradicionais e as Unidades de Conservação. Enquanto alguns defendem
a permanência desses povos nas áreas demarcadas, com o argumento de que vivem
em harmonia com a natureza e fazem uso sustentável dos recursos naturais e objetivando
que ao permanecerem nessas áreas essas comunidades possam colaborar para a preservação
das mesmas e manutenção da biodiversidade local; outros argumentam que as
populações tradicionais são responsáveis pela degradação do ambiente e extinção
de espécies.
Os
conservacionistas acreditam que a delimitação de áreas restritas, com espaços especialmente
protegidos onde a atividade humana é limitada, oferece a melhor perspectiva para
a conservação de parcelas importantes da biodiversidade no nosso planeta,
evitando assim que as populações tradicionais promovam a degradação através de
praticas como a agricultura de coivara, caça, pesca, entre outras. Esse modelo
é bem sucedido em países como os EUA, que possui grandes áreas desabitadas. Porem, no Brasil, há um grande problema que
não pode ser ignorado. Pesquisas demonstram que a maioria das unidades de conservação se sobrepõe a áreas ocupadas por
populações tradicionais, como indígenas, seringueiros, ribeirinhos, quilombolas
e outros.
A
manutenção desses povos nessas áreas é defendida pelos sociambientalistas, por
acreditarem no seu potencial para a conservação e na promoção por parte dos
mesmos de um manejo sustentável das unidades de conservação e ainda por temerem
que, caso contrário, essas comunidades se dissolvam, abrindo espaço para a
disseminação do modelo hegemônico de exploração e uso dos recursos naturais. O que,
segundo eles, seria muito mais prejudicial ao ambiente.
Acredito
que perceber a “natureza como algo
exterior ao ser humano e este como um ser exterior à natureza” não é a
melhor forma de frear a destruição do planeta. Por isso julgo importante a
busca por soluções mais realistas, em que homem possa interagir com a natureza
da forma sustentável, visando sempre a preservação.